sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mais de mim

Se eu pudesse olhar no fundo, sem dizer uma única palavra e entender o que me diz...
Se eu entendesse esse espelho e sustentasse o cara-a-cara... eu saberia mais de mim.
Se eu permanecesse, por um instante, quieta e escutasse meu silêncio... entenderia mais de mim.
É, que a mim incomoda saber dos recônditos escuros. Meu coração é a minha morada que, as vezes, abandono para qualquer veraneio fora de mim...
Se eu, corajosamente, entregasse todas as minhas folhas não escritas... e papel... e caneta... e deixasse meu enredo ser traçado pelas mãos de outrem... eu descobriria mais de mim...
Mas, se eu fizesse qualquer coisa dessas, ou outras tantas, sem a doçura das escolhas... tudo não passaria de uma grande jaula...
Se livremente assim eu escolhesse... Suspiro... eu seria um pouco mais em mim...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lou Salomé

"Hoje posso ser o que os outros são aos dezoito anos, hoje posso ser eu mesma."

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Instante

Gire a roda do tempo como roleta-russa! Porque pensá-lo linearmente não funciona, vira bobagem de começo-e-fim. Pense no tempo como sendo um ponto presente, com ramificações cuja denominação é passado e futuro. Esqueça o desvio do antes-e-depois e pense INSTANTE!
Permaneça no agora, girando a roda do tempo... As decisões serão mais autênticas, sem a sujeira das influências pertencentes as memórias e as esperas. Quem permanece alguns instantes no presente se depara com sua própria companhia... eu sei... é difícil... mas, mantenha-se no presente e segure firme, bem firme o instante!

Estar dentro do momento imediato é o primeiro passo para a liberdade.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Quem

Ela tem a vibração certa para cada um que lhe cruza o caminho. Ela caminha através da leveza das dores sentidas, do passado sofrido.
Ela sustém tantos perigos e é tão forte, por vezes... Prende, por horas, alguém que pensou apenas passar pela sua presença.
Quase nunca se acovarda, é tão frágil... Tão abismo... Que num suspiro traz o tudo do dito.
Ela abarca soluções, tem doçura e coragem diante do perigo. Ela se aventura e nos leva aonde sozinhos não iríamos.
Ela faz coisas absurdas serem simples, ela complica a vida!
Ela segura tão forte cada mão insegura. Pelos laços, ela liga pontos díspares e contrários.
Ela é contradição: por vezes cumpre juras, em outras nem se quer lembra-se do prometido.
Ela desata os nós e resolve problemas... Ela se cala e confessa não ter saída. Ela assume covardias, mas, dissimula verdades.
Ela não diz quase nada quando grita. Ela diz tudo pelo silêncio. Ela fabrica perguntas desnecessárias com a mesma facilidade que tem de não levar a sério algumas respostas.
Ela não é de vidro.
Se pudéssemos dar-lhe um colorido ela seria o violeta.
Através do que ela escreve alguns encontram saídas, outros se perdem num labirinto e ela continua a brincar com as letras.
Ela tem um novo diário, mais sério, mais tristonho, mais adulto, menos enigmático. Ela, hoje em dia, é menos. Menos afobada, menos sonhadora, ela é menos do menos.
As vezes, ela molha o olhar com alguma coisa úmida que sai de dentro de si... ela permitiu essa coisa úmida sair das pálpebras e experimentou o sabor desse líquido tão sagrado que poucas vezes saiu do seu dentro; foi uma luta, tão dolorida e sofrida, que ela sentiu praticamente o coração diluir-se por entre esse fluido; quando provou desse líquido ela sentiu o salgado doce do seu sofrimento.
Ela é forte, ela é imbatível, inquebrável e tão sensível! Ela agrega toda a liberdade possível por entre as asas prateadas dos vôos que alça...
Ela constrói um abismo com uma única palavra e com outra é capaz de elevar um coração ao paraíso.
Ela tem o seu inferno, o seu anjo, o seu horror, o seu abismo, ela é tão treva...
Ela é uma multidão! Tão solitária quanto sua presença.
Ela desenha novos traços, entre novas cores, mas, ela finaliza no preto e branco. Na verdade, ela é sépia... Mas, agrega um brilho incomparável.
Ela sabe que é única. Ela olha, de quando em vez, no espelho ou na margem e sussurra - dentro do meu ouvido -  “eu!”.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

dor

Bom... (pausa para doer) ...
(treze minutos e meio depois...)

Onde tudo me dói...
É ... tá tudo escuro ...
E a sensatez me coloca
diante do meu espelho
com a velha estranha no reflexo...
Eu queria ser mais áspera
mais bruta, mais "basta".
Eu queria a velha fortaleza
que eu ensaiei tantas vezes.

Não registro minha força
quando ao seu lado estou...
Ainda que o lado seja
coincidência,
horrível coincidência!

D'us, frabrique as trevas
por entre as luzes
do brilho do meu olhar
nessa noite...
Desse encontro,
que foi desencontro...

Leve, você,
desse desencontro
o cumprimento não realizado
e não se esqueça:
Mulher Maravilha, eu sou.

Então, fecho meus ouvidos...
limpo sua carne
Escondo nossas cartas
embaixo do meu mais baixo fundo...
entendendo agora que é o fim,
que eu tanto evitei...

Pois, bem! encaro o fim
sem pânico e com resignação
com a contrição
daqueles que entendem
que não há mais nada a fazer...

Ok... eu não quero o fim
preciso de um recomeço
às favas o que precisa eu!

Como eu quis!
e deparo com meu querer, do quanto quis, essa noite!
um retrocesso no ponto primeiro dos meus sentimentos...

Agora...

... de mim, resta a memória jogada pela janela
e o desejo de esquecer que quando é "você eu não sei nada".

E brindo sozinha o esquecimento...
porque essa dor eu escolho não mais sentir.
Desculpe-me
pela canção que sozinha ouvi.

domingo, 15 de novembro de 2009


Ganhei da Jacq esse outro selinho... Primeiro é agradecer o afeto e a leitura. E não posso deixar de seguir as regrinhas que o acompanham...


01. Estampar o selinho no seu blog (site)
 - já está aqui e do lado direito....


02. Dizer o porquê do seu blog ser um Blog com Coração
- ainda não sei porque ele é com coração... talvez, seja porque aqui existe parte de mim...

03. Indicar com o nome e o link (e avisar) 08 blogs. (Por que 8?, porque ela adora o número 8)....

- CINE FREUD
- DOGMAS
- XO FALÁ
- PERPECPÇÃO DA PERFEIÇÃO
- TEORIA DO ABSURDO
- A CAMERA QUE FILMA OS DIAS
- CAMILA CARINGE
- LUZ MAIS LUZ

bom... vou passando por lá para indicar o selo... bjinho e bom final de domingo

sábado, 14 de novembro de 2009

cansaço

Se eu sofro é porque me transpassa cada fôlego do viver. Eu me preparo entre as águas, não mergulho. Tenho fôlego, ensaio o nado... Atormento-me no próximo instante e desisto.
Qualquer que tenha sido a revivescência da certeza... vira fumaça, só me resta a dúvida. Ah... eu já não ensaio um novo passo na velha dança...
Eu não sei.... juro que não sei... mas, em algum lugar ficaram... as minhas esperas, os meus quereres sobre a confiança de todos aqueles suspiros, engasgados entre os laços tímidos... entre as minhas perguntas; que foram respondidas pelas frases que eu ouvi durante o silêncio.
Entre todas as palavras, escolhi a que separa, distancia e aparta qualquer vínculo, posto que singrar nesse mar do rarefeito antes de ser inseguro é, também, um trajeto de ilusão. Viva a aurora da realidade, mãe das luzes secretas do mundo que habita o meu coração.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

o escuro do outro e do eu


É um berra-berra esse assunto do “apagão”. É gente dizendo que governo “se queimou”, outra gente tentando provar que não é bem assim... Às favas, já apagou e acendeu. E antes de acender fiquei pensando nas pessoas no escuro... Pensando em tantos casos...


Imagine aquele que não tem tempo para si mesmo, desde o momento em que acorda precisa de algum aparelho elétrico para fazer alguma coisa, qualquer coisa. Não podendo ligar o computador, sem televisão para saber notícias, com seu celular descarregado – de tanto ligar para comprovar se mais pessoas estavam na mesma situação. Ele ali, dentro do vazio escuro, enxergando dentro dele somente. O incômodo ao sentir que não tinha “nada” para fazer. Porque para fazer ele precisava de qualquer coisa externa, melhor qualquer coisa que já era sua extensão, sendo coisa sua e sendo si mesmo simultaneamente. A sua segunda mente, a sua segunda voz, o seu segundo braço, o seu segundo eu... Que tortura não enxergar nada e ter de ver a si mesmo, e somente dentro de si! Tentando alcançar, a sua frente, uma luz e ver apenas breu.

E naqueles que foram obrigados a permanecer durante um curto espaço de tempo com quem nem conhece? Trancafiados nalgum lugar... Num elevador, no túnel do metrô, nos trilhos do trem... Irritados com a presença alheia, ter de sentir – sem quase ver – as pessoas que o cercam, sem saber quem são... Vendo a bateria do celular acabar e junto com ela a chance de continuar a falar com uma voz conhecida e agora tão distante... Suportar a companhia de pessoas que estão próximas, detestando-as a cada minuto rodante. Tudo que se queria era alguém conhecido por perto e ali o desconforto da presença de estranhos... Que sufoco!

E a luz voltou e tudo o que se fez foi esquecer aquela noite horrível, cuja provação parecia ser o fim dos tempos: condenados a deparar-se com um único material, a gente...

E deixemos no baú do esquecimento aquele dia cruel, onde todas as invenções elétricas não tiveram nem vez e nem voz... O único grito era do silêncio e da solidão que assombravam através das companhias desconhecidas, chamadas de "outro" e de "eu"...